segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Os 5+ da Música Nacional de 2013

5° Nação Zumbi – O Velho James Browse já dizia

A ideia de criar um embate entre bandas da mesma estética sonora não poderia ter dado tão certo. No duelo entre Nação Zumbi e Mundo Livre S/A podemos levantar o caneco para a versão ska de O Velho James Browse já dizia. A música não perde o seu teor erótico tecnológico e ganha peso com os maracatus perfeitamente sincronizados e com a voz fantasmagórica de Jorge du Peixe. Acredito que uma lágrima tenha caído do olho esquerdo de Chico Science, ele deve estar muito orgulhoso.



4° Emicida – Crisânteno

O rap nacional aprendeu que não precisa ser essencialmente pessimista e recluso. Um dos professores dessa nova forma de fazer rap é o Emicida, no entanto Crisânteno resgata essa linha menos alegre e nos faz refletir sobre escolhas e caminhos. O violão que segue a música te teleporta para a frente de uma lápide e coloca pessoas ao seu redor chorando por uma vida que se foi. “A vida é só um detalhe” é a frase que o Emicida repete penosamente para nos fazer entender que para morrer basta apenas estar vivo.



3° Macaco Bong – Black Marroca

O Macaco Bong tá nervoso!! Esse pequeno hiato e os problemas com o Fora do Eixo serviram para que uma raiva se condensasse nas mãos do genial Kayapi e que tudo isso transformasse na Black Marroca. A fórmula é que sempre deu certo; uma música sem direções previsíveis, guitarra para todo lado e distorção de estourar o tímpano. Que esse seja o prelúdio de um terceiro álbum, pois já é impossível imaginar a música brasileira sem a criatividade alternativa do Macaco Bong. Até breve.



2° Rodrigo Amarante – Hourglass

Comece a viagem no tempo. Rodrigo Amarante conseguiu extrair uma sonoridade perdida pelo espaço e pelos estúdios da década de 60. Hourglass poderia, facilmente, ter sido um hitt de qualquer banda começada com “The”. Seu sintetizador com som de abelha e seu baixo duro dão um aspecto que parecia estar desaparecido da música nacional. Tudo é muito perfeito, muito HD, acredito que isso tenha feito o ex-eterno-Los Hermanos nadar em uma contramão fantástica. Por favor, parem a ampulheta.


1° Tom Zé – Papa Francisco perdoa Tom Zé

Qual a melhor forma de calar a boca dos revoltadinhos do “feicebuqui”? Gravando um CD e pedindo perdão para o Papa? Não sei, mas essa foi a forma que o Tom Zé utilizou para dar um ponto final da polêmica do comercial da Coca-cola. Um simples pedido de desculpas resultou na melhor música de 2013. A participação dos criativos do O Terno ajudou bastante no sucesso da música, mas a mente criativa e hiperativa do velho Tom é o que faz a música funcionar em todos os suas nuances. Papa Francisco, perdoa Tom Zé!

sábado, 28 de dezembro de 2013

Os 5+ da Música Internacional de 2013

5° - David Bowie – The Stars

Ele voltou!!! The Stars pode não ser a melhor música do álbum de inéditas do camaleão do rock, mas retrata – também pelo seu clipe – que David Bowie está de volta e mais criativo do falta da existência colorida de Bowie em nossas vidas. A estrela voltou!!!


4° - Robin Thicke, Pharrell e T.I. - Blurred Lines

Uuuhhhh!!!! Putz… quem não reproduziu o gritinho do sucesso mainstream do Robin Thicke e sua trupe não sabe o que é simular uma pista de dança sem sair do quarto. É completamente impossível escutar Blurred Lines sem mexer o esqueleto, qualquer parte dele, desde a ponta do pé até o último fio do cabelo. 2013 se mostrou um ano bom para adicionar qualidade aos sucessos das pistas de dança. Uuuuhhhh!!!!!



3° - Black Sabbath - End Of The Beginning

Os pesadelos, os horrores, as histórias do fim voltaram a ter como base o som fúnebre do Black Sabbath. A velho fórmula como novas resoluções. O som continua dark, sombrio e te levando ao lado mais obscuro de sua própria imaginação. Ozzy e sua trupe não perderam a mão, abrem o Cd com End Of The Beginning e nos transportam automaticamente para a era do LSD e das mortes por overdose. É o começo do fim, do fim.




2° - Queens Of The Stone Age - I Appear missing


Josh Homme, eu quero ser que nem você quando crescer. O mago das guitarras nos brindou com uma das melhores músicas de todos os tempos. I appear missing brinca com refrões, pontes, parte A, B, C, e qualquer outra letra do alfabeto. Não tem medo de se arriscar em nenhum momento e te faz descobrir a existência de uma dimensão que tem como portal músicas de qualidade. O que se pode esperar das rainhas da era da pedra? Somente músicas incríveis, nada mais, nada menos.



1° - Daft Punk - Giorgio by Moroder

O Daft Punk são do underground, agora tocam em novela, são requisitados por diversas rádios e tem releases em sites de grande massa. Isso significa que o som piorou... não, não mesmo. Giorgio by Moroder não irá ser um dos singles de seu belíssimo álbum, mas, sem sombras de dúvida, é a música mais impressionante da carreira da dupla robótica. A música abusa do lado progressivo e virtuoso dos dois, além de não ter preocupação alguma em chegar ao seu fim. O lado groove é bastante presente, mas o experimentalismo é o carro chefe da canção. Divirtam-se!!!


“Meu nome é Anderson Shon, mas todo mundo me chama de Shon”

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Os 5+ do Cinema Internacional de 2013

5° - A espuma dos dias

Uma das adaptações mais trabalhosas resultou em uma belíssima obra de arte do cinema francês. A espuma dos dias pode ser avaliado positivamente em todos os seus aspectos. Desde o roteiro impecável, às atuações sensacionais e ao psicodelismo nunca visto antes na história do cinema mundial. Como cereja do bolo temos a regular Audrey Tautou, que sempre se dá ao luxo de trabalhar em produções que agregam grande valor aos seus admiradores. Se eu disser que o filme começa colorido e acaba preto e branco será um spoiler? Só assistindo pra crer.




4° - Django Livre

A trilogia dos historicamente renegados chegou ao fim. Após fortalecer a figura das mulheres e dos Judeus, Tarantino construiu aquela que seria a vingança perfeita dos negros com os brancos. Django Livre é emocionante para quem tem muita ou pouca melanina, pois traduz uma época em que a ignorância se disfarçava de intelecto. O sangue em excesso, as explosões e as reviravoltas já são marcas do Quentin, e não deixam de ser ótimos clímax. Vale ainda dizer que Cristopher Waltz dá um banho de interpretação. Aproveitem cada minuto desse grande filme.



3° - Amour

Simplesmente a expressão artística mais subliminar de 2013. Amour toca no sentimento que indica que um dia todos nós envelheceremos e que seremos um tanto quanto inúteis para a sociedade. O foco no parado faz o filme ainda mais reflexivo; onde há músicos, o foco é na inercia da plateia, onde há passos, o foco é na espera...  genial. As atuações de Jean-Louis Trintignant e Emmanuele Riva são uma verdadeira aula de como fazer cinema sem precisar de efeitos ou de um óculos 3D. É docemente impressionante.





2° Kon-tiki

A aventura marinha mais impressionante da humanidade. Kon-tiki retrata a história real do pesquisador Thor Heyerdahl na busca de provar que a Polinésia teria sido colonizada por indígenas da América do Sul. Imbuído na sua missão, ele sai do Peru em uma jangada – simulando as jangadas que os indígenas usaram – em direção à Noruega para constatar sua hipótese. O filme elucida como o mar é traiçoeiro, psicologicamente e fisicamente, como nossos planos são somente estradas escolhidas e como somos pequenos diante uma imensidão ao nosso redor. Minha primeira experiência com o cinema norueguês foi extremamente positiva, espero que a sua também seja.



1° - O Hobbit 2 – A Desolação de Smaug

Não pisque ou perderá alguma parte importante de O Hobbit 2 e se arrependerá. O primeiro filme da trilogia foi muito inferior ao aclamado Senhor do Anéis. Sim, sim, as comparações são inevitáveis, mas vale para o mal como para o bem. O Hobbit 2 – A Desolação de Smaug é o melhor filme oriundo de uma obra de Tolkien, isso mesmo, deixa qualquer um dos Senhor dos Anéis no chinelo. As cenas de ação são SENSACIONAIS, todas elas, os diálogos são bem trabalhados e o humor não mais parece cair de paraquedas. É impossível não ficar perplexo com o final... é melhor eu parar de contar antes que eu estrague a aventura. Não percam!!!!


domingo, 15 de setembro de 2013

Tarantella Mensaleira


Mensalão? Sim, conheço, esse carma já nos assombra há um bom tempo. Pois bem, essa semana é decisiva para a credibilidade da justiça e da política brasileira. O ministro Celso de Mello tem nas mãos a decisão sobre alongar um julgamento que já parece interminável ou colocar um ponto final nessa patacoada. Empatado em 5 x 5, os ministros estão extremamente divididos em acatar ou não os embargos infringentes. Resumidamente, os amantes de uma boa pizza defendem a ideia de que a pressão popular não pode influenciar no andamento da justiça. Se a opinião popular não pode influenciar, o dinheiro sujo no bolso dos mensaleiros deveria, mas parece que não vai. Os que são contra a continuidade dessa sujeira entendem que o julgamento já se prolongou demais, qualquer observação poderia ter sido feita, se não foi, significa que esses ladrões estão prestes a ter o destino que merecem. O ego dos possuidores da capa preta está atingindo o futuro descente da nossa nação, não podemos achar que a briga pela justiça e a briga pelo justo são coisas distintas. Celso de Mello tem o futuro do país em uma bandeja, veremos se ele escolherá por servir a pizza ou por fechar a pizzaria.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

8.998 Anjos

E mais um se foi. O rock n roll dá, o rock n roll tira, é assim, ele nasceu assim e parece não estar disposto a mudar. A ideia Peter Pan nunca parece sair de moda e a pressão pela imortalização sessentista ainda soa com ares atuais. Assim perdemos três músicos de qualidade incomparável. Champignon e Chorão criaram uma geração roqueira e mostraram que virtuose e simplicidade combinavam como ketchup e maionese. Peu não resistiu a volta para o mundo dos mortais e preferiu se imortalizar. A vida fora dos acordes pareceu muito menos empolgante e os problemas que não podiam ser resolvidos com uma boa afinação construíram um labirinto na cabeça desses três talentos. Não sei, mas essa é a única parte do rock que eu realmente não consigo entender. A geração atual venera símbolos como Sid Vicious como alguém que viveu o rock n roll ao extremo, mas ele não viveu o rock, ele “morreu” o rock. Que alguém de lá de cima olhe para os que foram e para os que aqui estão, o rock é um grande quebra-cabeça, não queremos mais perder peças.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Laico?

Nada contra o Papa Chico ou contra o catolicismo (mentira), mas, após a visita do nosso querido Chiquinho, espero que todos os outros grandes líderes religiosos visitem o nosso país, tendo sua estadia custeada com dinheiro público.

Não faço parte da massa que acha que é irrelevante a visita do Papa, não mesmo, ele é o segundo Chico que tem a aparição mais aguardada, perdendo somente para aquele que afirma que futuros pais precoces não precisam se preocupar com fraldas. Sem nenhum contato com o catolicismo ou religiões (ou a aversão a elas) não sou o cara apropriado para reclamar da visita do Papa, mas minha mente em funcionamento me faz deduzir que um país laico deve abranger todas as religiões ou esquecer da existência de todas elas.

Apesar da cara de bom moço, o Papa traz consigo todas as velharias filosóficas do catolicismo e, a essa hora, está influenciando pessoas que encheram os 10 mil ônibus estacionados na cidade do Rio de Janeiro. Bom para o turismo? Sim, ótimo... Bom para o moral? Hum... não mesmo, a falta de respeito com as religiões longe do catolicismo já não é mais disfarçada e parece um assunto longe da pauta de muita gente que se incomoda com isso. É preciso orar por uma democracia religiosa. Amém!

sábado, 13 de julho de 2013

Dia Mundial do Rock! VIVA O ROCK!!!!

Rock não é uma música ou um estilo, é uma vida. Ser salvo pelo rock não é uma dádiva de líderes de bandas e seus instrumentistas, esse estilo já contextualizou reformas políticas, movimentos de contracultura e ações que mudaram consideravelmente o nosso mundo. Ser rock é muito mais do que camisas pretas, cabelos ensebados e postura radical, ser rock é saber que não faz a mínima diferença se o cara do lado ouve sertanejo ou funk, é ter a certeza que aquilo que soa nos seus ouvidos te faz uma pessoa muito melhor do que qualquer tchu tcha tcha. Ser ácido, ser agressivo, ser “foda-se” é bem rock n roll, porém o rock não se resume a isso, ou melhor, o rock não se resume, se abrange. 13 de Julho, Dia do Rock N Roll. Viva o Rock n roll!!!!


Veja a lista dos melhores rocks dos últimos tempos das últimas semana. Se permita apreciar!

Moody Blues – Tuesday Afternoon



Titãs - Estados Alterados da Mente



The Kinks - You Really Got Me




Cachorro Grande - A Alegria Voltou



Queens Of The Stone Age - Little Sister



Os Mutantes - Ando Meio Desligado



sábado, 6 de julho de 2013

"Lei não é pra ser levado tão a sério".


Voltando feliz e serelepe do show do O Círculo – que por sinal, foi o melhor show deles - Shon, Victor e Lucas, três rapazes simplórios na noite soteropolitana, decidem que já é hora de voltar para suas respectivas casas. Questionando entre táxi e ônibus, eles decidem voltar de táxi, já que o fim do dia se aproxima e a capital baiana não anda muito segura. Pois bem... TÁXI!

Dentro do táxi os três percebem que o motorista estava dirigindo e olhando as mensagens de alguma rede social não identificada. Ao passar por uma rua de paralelepípedos, o que o obrigara dirigir mais lentamente, Shon pediu que o motorista voltasse sua atenção total para o seu trabalho, mas o mesmo fingiu que não escutou. Quando o táxi adentrou em um caminho mais movimentado os jovens decidiram que não iam continuar e se recusaram a pagar a corrida, valor de R$8,00. O fight começou.

Alegando um prejuízo, o motorista de táxi se enfureceu com a atitude dos jovens e disse que não havia cabimento, pois o mesmo não estava fazendo nada demais. Tentou argumentar dizendo que nada tinha acontecido, logo, não tinha motivo para tal atitude e que não tinha escutado o pedido anterior. Ele não mostrava nenhum espanto sobre o fato de estar dirigindo com o celular na mão, achando um pouco de bobagem e criancice na atitude de prevenção dos rapazes. Resultado: Chama uma viatura.

O que parecia uma solução óbvia e sensata virou uma piada pronta. Os policiais chegaram ouviram a história e concluíram que os rapazes deveriam pagar a quantia dada e, em hora alguma, EM HORA ALGUMA, acharam errado ou estranho o taxista dirigir e usar o celular ao mesmo tempo. Todos os argumentos lógicos foram utilizados para tentar criar uma luz na mente dos homens fardados, mas os mesmos não tinham qualquer noção de reflexão e exigiram que os três pagassem ou a solução seria levá-los para delegacia.

Sem nenhum poder de reação e totalmente desacreditados, os jovens continuavam lutando, mas nada adiantou. Lucas puxou sua carteira e pagou a corrida, enquanto Shon e Victor pediam para que o taxista perde-se o tal hábito, pois ele colocava vidas em risco. Foi então que policial mestre perdeu a chance de ficar calado. O mesmo perguntou se algum dos rapazes tinha carteira de motorista. Eles alegaram que não, mas não era isso que os fazia achar atitudes como aquela corretas. Então o policial proferiu a seguinte frase:

- Lei não é algo tão sério, não, tem gente que bebe, se vocês dirigissem um não ia beber, e aí? Lei não é pra ser levado tão a sério.

Pronto, para que eu vou descer, chega de face por hoje, chega de viver por hoje. Me pergunto: É Salvador ou é Brasil? Um policial, UM POLICIAL, me diz que lei não é algo tão sério... é isso mesmo produção? Então eu, como professor, vou dizer aos meus alunos que educação não é algo tão sério, meu amigo, médico, vai dizer aos pacientes que saúde não é algo tão sério. Eu não consigo conceber isso!! Sinceramente, o olhar de vergonha dos outros policiais era visível. Ahhhhh, o taxista não foi repreendido hora alguma!!! Ele entrou na discussão se achando certo e saiu se achando mais certo ainda.

Por favor, quem ler esse post, denuncie esse rapaz. Acredito eu, que o número da GETAX seja (71) 2109-3676, eles irão pedir o alvará A 6915 e a placa OUI 8520Podem falar que a denúncia partiu de um texto revoltado de um cidadão injustiçado por esse modo de viver que prioriza a malandragem, o pulo do gato, o tal jeitinho brasileiro. É revoltante, é revoltante demais, se o homem da lei não acredita na lei, então tem algo errado... ou melhor, tá tudo errado. E a vida segue... boa noite e bons sonhos.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Revolta do Vinagre


Acordamos, agora não tem mais jeito. A Revolta do Vinagre será estudada por nossos filhos, por nossos netos, pelas próximas gerações. Um povo judiado, vandalizado, achincalhado diariamente por um modelo de governo desinteressado em qualquer modificação que mude, efetivamente, a rotina desgastante do povo brasileiro. O que parecia ser impossível, está tomando forma; verás que o filho teu não foge à luta.

Existem aqueles que acham que tudo isso é um tiro no pé; “‘sujar’ a imagem do Brasil justamente quando o mundo todo está voltado pra ele?” Exato, mas não há nada sujo, pelo contrário, a varredura moral que os jovens brasileiros estão fazendo ao tomar as ruas, é o maior sinal de limpeza e clareza que esse país viu nos últimos anos. A Fifa se pronunciou sobre um risco da copa não acontecer por questões de segurança. Que coisa feia, Sr. Blatter, onde está o respeito?

A pulsações estão nas ruas, nos computadores, nos pensamentos de que há a possibilidade de construir algo que nós possamos nos orgulhar. Com a objetivação da Revolta do Vinagre todos nós (todos mesmo, você, preso no engarrafamento, você, policial truculento, você, dona de casa preocupada com seu filho, você, blogueiro orgulhoso) saberemos que existe uma juventude pensante e atuante, agindo em prol de recuperar o tal brado retumbante.

Caríssimo Jabor, não é por 0,20 centavos, é por Felicianos, dinheiro na cueca, estádios de bilhões, metrô que nunca sai, buracos eternos, saúde inviável, educação de m****, segurança inexistente, polícia despreparada, mensalões aos borbotões, campanha eleitoral mentirosa, mídias favorecidas, monopólio cultural, trânsito caótico, aumento salarial de madrugada, inaugurações que custam mais do que o “inaugurado”, reacionários de colarinho branco... ah, e pelos 0,20 centavos também.

sábado, 8 de junho de 2013

Entenda o Estatuto do Nasciturno





Pensei em várias palavras que podiam iniciar esse texto e a única que me parece adequada é esta... FUDEU! Um projeto de lei, aprovado na última quarta-feira, prevê a proibição de qualquer tipo de aborto, isso mesmo, qualquer tipo de aborto. Você, jovem bem avisado, já sabe que o aborto é ilegal, sim, tudo bem, mas, talvez, não saiba que algumas situações podem lhe garantir o direito de abortar legalmente. Vamos entende-lo.

O estatuto do nasciturno – nome do projeto de lei -, basicamente, propõe que nenhuma mulher possa praticar o aborto, independente do motivo. Se ela for estuprada e esse crime resultar numa criança, ela não poderá abortar, se a criança é anencéfala – má formação cerebral que resulta na morte do bebê poucas horas depois do parto – ela também não poderá abortar, se a mãe estiver correndo sérios riscos de vida por causa da gravidez, xiiiii... ela também não pode pensar na hipótese de, talvez, algum dia, quem sabe, numa bela manhã de domingo, abortar. Não é preciso dizer que esse estatuto tem severas bases religiosas, mesmo o Brasil sendo um laico. Ou melhor, “laico”.

Esse projeto foi ventilado pela primeira vez em 2007, quando tinha um parágrafo que incriminava as mães por um tal de aborto culposo. A mulher que sofresse um aborto espontâneo e ficasse provado que ela teve culpa nisso (carregar compras, ir trabalhar no período de licença, torcer fervorosamente para o fim da novela...), seria indiciada... isso mesmo, além de sofrer com a perda do filho – no caso dela querer a criança – ela viraria uma criminosa.

O novo projeto é mais bondoso (ironia modo ON), ele obriga o estuprador que engravidar sua vítima a pagar uma pensão de um salário mínimo para o seu filhinho querido, até o mesmo completar 18 anos. Como se não fosse muito ruim para mulher carregar o fruto de um estupro por 9 meses, ela terá que se relacionar com o estuprador por mais 18 anos. Clap...clap...clap...

Eu nem vou entrar no mérito das pesquisas de células tronco, pois já me considero um perfeito idiota por evitar cometer crimes contra o patrimônio nacional. Acredito que o emburrecimento brasileiro está perto do seu estágio final. Estamos virando um país com bases religiosas que beiram a patetice e ficando cada dia menos horrorizados com notícias desse tipo. Talvez o Feliciano tenha sido enVIADO para nos informar que não tem como voltar atrás, o final já foi decretado. Chegou a hora de lembrarmos do passado da nação, pois o futuro... 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Viúva de Neymar



Ah Neymar! apesar de saber que esse dia iria chegar, ainda é difícil acreditar? Ah Neymar! É uma cracatoa, um periquito ou um carcará? É o cabelo do Neymar. Feio ou horrível, inventou moda, e quem irá criticar? O do fenômeno era bem pior e o Brasil todo esteve a idolatrar. Santo Neymar. De santo tinha pouco, e nem queria ter. Moleque leve e solto, com a bola nos pés fazia, magistralmente, o seu dever. É o Neymar? Ou um pássaro, ou um avião, ou o sucessor que Pelé um dia ficou a imaginar. Se procuramos um defeito, era por que os iates, as publicidades, as Marquezines, faziam uma indispensável e venenosa inveja brotar. Obrigado Neymar! Fez com que muitos tivessem alguém pra amar, ou odiar, com que o mundo se voltasse aos brasileiros, não por inteiro, mas pelo pedaço de pelota a rolar. O menino cresceu e o inevitável se fez, ele irá nos deixar. Hoje, acordo menos alegre, vejo que dribles irão faltar, que as dancinhas irão parar e que uma peça está a faltar. Hoje me sinto uma viúva, uma viúva do Neymar.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Caxirola, eu escolho você!

Não feliz em protagonizar uma patacoada maestral na “organização” do primeiro lote de ingressos da Arena ITAIPAVA Fonte Nova, a Bahia também é vanguardista no mais novo esporte bretão; o arremesso de caxirolas. Criado pelo The Voice, Brown, o esporte consiste em negligenciar anos de educação básica e esperar que uma população de autoeduque, somente pela presença de um estado moderno, luxuoso, padrão FIFA, onde as pessoas são proibidas de peidar e xingar.

O cidadão sai de casa, pisa numa poça d’água, oriunda de um buraco no asfalto, suspeita da procedência daquela água, pois o lixo na sua rua está acumulado há mais um mês, chega no ponto, espera mais de 45 minutos para pegar um ônibus para o centro da cidade, pega-o lotado, dividido em: Um crente se estourando seus tímpanos, alguém maldoso roçando em um alguém indefeso e um funkeiro sem fone de ouvido. Ele pega um engarrafamento inimaginável, pois é domingo e, teoricamente, tudo deveria estar livre. Ao descer na Arena KAISER Fonte Nova, ele, imbuído de toda aquela raiva e incluso na boa parte da população que não tem acesso à educação de verdade, recebe um chocalho fantasiado da casa do Bob Esponja; a tal caxirola.

O que é pior? A chuva de caxirolas ou as mãos lavadas do governo? Esperar educação de um povo que mostra 24 horas que não é educado, é a mesma coisa de pular de um avião com um paraquedas quebrado e esperar que ele se conserte no meio do caminho. Somos um povo que buzinamos no engarrafamento, nossos médicos saem de jaleco pela rua, nossos jovens insistem em perturbar a paz, só pelo gosto de perturbar a paz, nossas meninas se nivelam através do quadradinho de oito... não é surpresa que nossos torcedores protagonizem a patacoada em questão.

Não há nada tão ruim que não tenha um lado bom, né?! Nesse episódio, podemos tirar como lucro a proibição eminente do abacaxi barulhento. Essa moda de instrumento específico da copa é chata e desnecessária, né vuvuzela? Enquanto Brown, em posição fetal, chora as mágoas do seu “invento”, a população brasileira espera qual será o nosso próximo vexame mundial. A copa do mundo é nossa, com o brasileiro não há quem possa.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Que Maravilha!

Após a confirmação de que ainda somos o país do futebol – a incansável copa de 2014 – precisávamos de alguma coisa que nos confirmasse que ainda somos o país da bunda ... precisávamos, pois esse legado nacional já foi encontrado, e é uma maravilha: o bonde das maravilhas.

Exaltando o tipo de dança que pode ser nomeado como rodízio de churrasco (um pedaço de carne pra qualquer um escolher e comer), o bonde das maravilhas continua a saga do glamour inverso existente na cabeça de nossos jovens. Hoje em dia é legal ser vida loka, ser vasp, ser favela, ser sinistro, agora o foco é ter a bunda como cartão de visitas.

É necessário salientar que existem dois fatores que incidem nessa influencia: a falta de intelecto da nossa juventude e a popularização caricata da classe C. Uma coisa tem muita relação com a outra. A mídia passou a vender o que era ridículo, como o legal. O rap plim plim do alto do morro, o retorno da mulata e os vídeos onde uma bunda dança são, agora, instrumentos da “realidade” do nosso povo. Coincidentemente, percebemos que a classe C é, depois do governo Lula, a classe que mais assiste TV, mas isso é só uma coincidência.

Cada pedaço de bunda balançando cria uma geração de machistas do sexo feminino e masculino, mas não se deve cobrar uma mentalidade tão profunda de meninas com a media de idade de 16 anos, EXATAMENTE, cada pedaço de bunda do bonde das maravilhas tem pouco mais ou pouco menos de 16 anos.

O churrasco está servido, mas tenha muito cuidado se tiver vontade de comer. Lembre-se antes que essa carne está temperada por toda uma péssima influencia social, pela ajuda a degradação da imagem da mulher, pela criação de novos misóginos e por uma pitada de vergonha para um cenário fonográfico que já não anda essas maravilhas todas. O bom senso está tão visível quanto o jato delas.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Infeliciano

Adoraria não perder o meu tempo escrevendo sobre umas das piores coisas que eu vi acontecer na política brasileira, mas está impossível. O representante do capeta atende pelo nome de Marco Feliciano e protagoniza o maior e último – espero eu – Foda-se com F maiuscúlo da cúpula de Brasília.

Há algum tempo a população brasileira já vem arrumando formas para deixar claro sua inquietude, apesar de tudo ainda parecer um pouco virtual demais, algo, por menor que seja, está sendo feito. As revoltas facebookianas e twitteiras isoladas foram alvos de piadas, mas a turma do amendoin gigabyte já começa a moldar uma nova forma de feedback para ações nascidas dos nossos engravatados.

O andar da carruagem me faz ter a esperança que esse será o último grande Foda-se da política nacional, pois toda a articulação da internet ganhou força real e as consequencias dessa revolta estão chegando sólidas na vida do inpastor infeliciano. Além de não conseguir exercer sua presidência, artistas e outras frentes sociais estão se colocando abertamente contra a ideia de ter um racista e homofóbico presidindo uma comissão de direitos humanos.

Há algo que podemos comemorar nisso tudo; vimos um ex-presidente expulso do seu cargo voltar a política, vimos um mensalão enriquecer milhares de ladrões que, mesmo condenados, continuam  engordando sua fortuna, vimos um infeliz “se lixando para a opinião pública”, mas só nos mexemos quando a humanidade foi diretamente negligenciada. Talvez haja um senso de humanidade meio esquisita nisso tudo, talvez seja o começo, talvez...

terça-feira, 12 de março de 2013

O País da bunda chiando por um peitinho



O que já não é novidade pra ninguém, volta a ser noticiado como surpresa: Atletas dinamarquesas fizeram topless nas praias do Rio de Janeiro. Há duas informações que a dita intelectualidade eurocêntrica (nesse caso, “euro-nórdica”) não consegue assimilar. Que o Brasil não fala espanhol e que aqui é proibido pagar peitinho na praia.

A primeira tem uma explicação super simples; a ignorância. Já a segunda é extremamente contraditória na mente dos pós-graduados em colonização e de alguns – muitos – brasileiros. O país que por muitos anos foi vendido como o berço da sacanagem, explorando a imagem e a curva das nossas mulheres, além de fazer com que o pão de açúcar divide-se holofotes, principalmente em volume, com a lombada traseira das mulatas que estampavam os folderes da EMBRATUR, abomina completamente a ideia de um peitinho de fora nas areias brasileiras.

Ora, como um estrangeiro vai entender que ele não pode fazer topless, mas no carnaval é extremamente normal ver mulheres e homens com 95% do corpo totalmente desnudoA hipocrisia assume escalas escalafobéticas quando veículos de imprensa dão espaço a matérias sobre o descuido das dinamarquesas, mesmo sabendo que tudo isso passa de um equívoco. Além de fomentar o sensacionalismo babaca, eles perpetuam uma ideia falsa e contraditória de moral.

O país da bunda se ofende ao ver peitos? Boa parte dessa aura eternamente carnavalesca povoada na mente estrangeira foi produzida pelo próprio Brasil. Se queremos correr atrás do lucro, apontar o dedo a uma prática “inocente” não é a melhor maneira. Se a bunda brasileira já não quer ser mais o alvo dos turistas, que deixemos os peitos dinamarqueses em paz. Por que não virar o país do cérebro? Me parece uma escolha muito mais agradável.


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Importância Cultural do Passinho do Volante



    Ah lelek lek lek lek lek lek     ... É rapaz, num é que o passinho do volante pegou mesmo. Uma teoria atual, indica que as músicas que grudam na sua cabeça são reflexos de alguma vontade reprimida, independente de ser boa ou ruim, independente do distanciamento com aquele estilo, se ela gruda em você, significa que você tem alguma predisposição para curti-la, mesmo não estando no facebook. Obs: Eu já cantei tanto isso, que tô quase substituindo minha tatoo do Radiohead pelo      Ah lelek lek lek lek lek lek     .

Por muito tempo se justificou a baixaria e pouca vergonha protagonizada por estilos musicais, visando um público de classe mais baixa (pagode, funk...) através da suposta imposição intelectual existente em estilos como rock, mpb, bossa nova... A ideia de ou bidê, ou balde (8 ou 80) sempre me pareceu ridícula, ou você canta sobre a formação educacional de um comunista ou manda uma potranca esfregar a tcheca no asfalto. Quem não se lembra do É O Tchan e seu duplo sentido saudável? Até hoje existe a grande dúvida em vários jovens brasileiros; pego no bumbum, ou pego no compasso?

O passinho do volante é divertido, inocente e popular. Pode ser apontado como a formula ideal para não precisar ser o ícone da música e ganhar vários grammy’s e nem o grupo que simula sexo oral em cima do palco. Se a letra é vazia? E quem falou que as letras precisam ser cheias? Elas só não podem te levar para um lugar pior do que você estava antes de escutar a música, não pode te estimular a descer com a mão no tabaco, a brigar no carnaval, nem a estuprar as fãs em um ônibus.

Continuo rock n roll até o último fio do cabelo, mas fico feliz em saber da popularização de movimentos culturais que não fomentam a ostentação de algo que você não tem, não fomentam a misoginia e nem a banalização do sexo. Bom ou ruim? Eu me limito ao fato de achar que não faz mal, e no cenário cultural atual, isso é já um bem danado.     Ah lelek lek lek lek lek lek    

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Quando um não quer, dois não benzem.


Há muito tempo a igreja católica protagoniza uma disputa calorosa com as mudanças sociais ocorridas no mundo contemporâneo. Ser contra a camisinha, enquanto um mar de HIV está assolando e demonizar a homossexualidade, prática cada vez mais comum, parece um tipo de comportamento não condizente com o rumo que nós tomamos (sem julgar se o rumo é bom ou não).

 A primeira batalha dessa cruel e infinita guerra foi vencida; o papa com cara de inquisidor, Bento XVI, pediu o chapéu e desistiu daquele que é o lugar mais sagrado da cúpula católica. Se ser papa é algo tão divino, como é que podemos desistir disso... não é pecado? Se for, o papa se torna o mais pecador de todos os homens? Então, temos que crucificá-lo.

Pedofilia, riqueza exacerbada, omissão, já existem vários exemplos que provam o quanto a igreja católica está desacreditada neste novo século. Há cada dia que se passa um país europeu – local onde o catolicismo é forte – se abre para o novo conceito de família criado pela explosão colorida.

Na corrida papal, temos na frente um nigeriano... hum... quer dizer então que um negro será contra a camisinha? Mesmo sabendo que milhões de pessoas na África morrem de AIDS? A ideia de aproximação social pensada pelo catolicismo pode sair como um certeiro tiro pela culatra. Agora nos resta esperar a fumacinha branca ou preta, pra mostrar quem é que continuará a saga das mãos pelos pés. Se  algum representante das novas tendências sair de lá, te garanto que a fumaça será colorida.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

APARTHEID SOCIAL


Serei curto e grosso: essa é uma das imagens mais chocantes dos últimos tempos. Falo isso da minha ótica, do que está perto de mim, nunca negligenciarei problemas mundiais, mas isso me deixou bastante triste e pensativo. Odeio carnaval de rua praticado pela capital baiana, ele é extremamente segregador, sendo apelidado, por este que vos fala, de APARTHEID SOCIAL. Toda vez que eu olhar para o efeito preto e branco, nunca irei achar que pudesse ter tanta “eficácia”.

O carnaval é uma festa criticada por vários de seus foliões, o que me intriga bastante. Adoro ser coerente, mas vejo que a sociedade baiana não está muito preparada para interpretar a coerência. Por aqui, é bem normal você passar onze meses falando mal do carnaval e passar o fevereiro na folia, na gandaia, curtindo a festa que você tanto denigre. Acredito que homens que sejam contra o machismo, devam dividir a conta, isso é coerência, se eu não gosto de pagode, não irei ao muquifest, isso é coerência, se eu não gosto do carnaval, não irei ao apartheid, isso é coerência.

Entre o coerente e o falso revoltado tem aquela mínima desculpa, que é mais ou menos assim: “se não pode com ele, junte-se a ele” ASNEIRA! Se não pode com ele, e entende que “ele” ganha bastante, deixe-o, acredito que ideais são feito por concepções, pela forma empírica que você lida com o mundo, com coerência. Quando ideais são construídos e destruídos pelas mãos cruzadas, não são ideais, são fantasias.

Muita gente ganha com o carnaval, ele é um investimento para a cidade, um festa que já tem sua importância histórica, mas não significa que nós temos que aceitá-lo de qualquer jeito. Xingar muito no twitter não resolve, mas ir pra gandaia também não, pelo contrário, alimenta um monstro capitalista que fomenta a desigualdade social e uma imagem que todo baiano odeia ter; O país do carnaval, né!?... que jeito...