quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Trampolim do Forte

Quem alguma vez caminhou pelas areias do porto da barra e/ou se viu esperando um ônibus na estação da lapa já deve ter se perguntado sobre a vida dos personagens que sempre são encontrados nesses lugares. Podemos citar: um menino vendendo picolé, alguns garotos pulando do trampolim da barra e outros tantos indo e vindo, que alguns nós nem percebemos mais. É fácil perceber que a realidade desses pequenos baianos não é fácil, mas o que de fato acontece por trás de tudo isso? Essa é a resposta que Trampolim do Forte nos dá.

Ambientado no Porto da Barra, Trampolim do Forte conta a história do menino Déo (Lúcio Lima) e sua luta para deter um estuprador que ataca crianças na Barra. Para tornar a história ainda mais interessante, o diretor, João Rodrigo Mattos, envolve o drama com a dura realidade de Felizardo (Adaílson dos Santos), menino de coração bom que sofre com o fato de trabalhar duro vendendo picolé para que sua mãe dê boa parte do lucro ao reverendo Magalhães (Luís Miranda).

Déo e Felizardo fazem parte de figuras que podem ser vistas facilmente nas ruas de Salvador. Problemas familiares, o submundo das noites, polícia corrupta, alienação das igrejas e outras fraquezas de nossa capital foram bem exploradas sem nenhum tom de sensacionalismo ou de piedade. Entre essa realidade é imprescindível destacar o papel do jovem Everton Machado como Fuleirinho, famoso trombadinha das ruas que tem o final pouco surpreendente para a triste realidade dos meninos de rua na capital baiana.

O único aspecto preocupante do filme é o fato dele ser tão significativo para os baianos – e outros nordestinos – que seja bem fora de órbita para nossos vizinhos de baixo, que insistem em achar que o único problema nacional interessante em ser retratado precisa vestir roupas pretas ou subir em morros ou ouvir funk.

Além de ter uma fotográfia incrível, Trampolim do Forte é inteligente, reflexivo, impressionante e enigmático, além de colocar no mercado uma gama de atores que não me surpreenderá em nada quando figurarem uma próxima cena de atores baianos desbravando o sudeste. #FicaDica.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Lei de Talião

Eu espero não chegar à época que diálogo será uma palavra perdida no dicionário. Imagine seu filho: “Papai, a professora disse que nós precisamos dialogar com nossos coleguinhas” “Dialogar porra nenhuma!”. Não estamos muito longe disso, afinal de contas, o que mais se vê na mídia é uma briga de quinta série envolvendo as pessoas quecomandam o nosso país.

A patacoada mais recente foi a criação do dia do orgulho hétero. O mesmo será comemorado no terceiro domingo de Dezembro e se cair no dia de Natal, nós devemos comemorá-lo transando com alguma Maria Madalena. Vocês podem achar que esse dia não faz o menor sentido, mas faz, afinal:

Todos os heteros querem ser discriminados pela sua opção sexual;

Todos os héteros querem ser linchados até a morte, só por ter a opção sexual diferente;

Todos os héteros querem passar anos brigando por leis que os protejam;

Todos os héteros querem ter a dificuldade de constituir família;

Todos os héteros querem ser alvos de piadinhas maldosas e nocivas;

Todos os héteros não querem beijar em público.

A criação do Deputado Apolinario ainda não foi sancionada, pois o prefeitoKassab ainda não bateu o martelo, porém, tratando-se de Kassab, acredito que ele irá jogar essa responsabilidade para algum dos mortos que votaram na validação do PSD.

Já que estamos perto da época do “não diálogo” podemos resolver tudo noolho por olho e dente por dente. Se existe o dia do orgulho gay, então vamos criar o dia do orgulho hétero; se existe o dia do índio, vamos criar o dia do cara pálida; se existe o dia da árvore, vamos criar o dia dos países que não respeitam o protocolo de Kyoto; se existe o “Hoje em dia” vamos criar um programa de manhã que preste.

Ê Brasil, onde vamos parar!?

sábado, 30 de julho de 2011

O Que Nós Aprendemos?

Mini-documentário sobre o que mudou na segurança

dos colégios públicos de Salvador após o massacre de Realengo.


domingo, 24 de julho de 2011

A Morte é a Solução Ideal Para a Vida Eterna

Por que a morte é tão sedutora? Às vezes me acho um idiota por ter a triste ilusão de não estar à caminho dela. Só de pensar que o estilo Sexo, Drogas e Rock n Roll não tem mais um representante legítimo – prefiro não contar o Pete Doherty – eu me arrepio, pois a negação de um, afirma que a outra ponta – infelizmente a de cima – vive no que nunca foi o ideal para o cénario rockeiro. Não estou fazendo apologia às drogas, mas atire a primeira pedra quem nunca olhou para Amy Winehouse e pensou: “Ela é demais” e percebeu que todo o universo “punk” fazia parte do conjunto que a deixava demais.

Vocês sabem quem é a Duffy? Eu sei, é uma cantora tão atual quanto a Amy, tão clássica quanto a Amy, tão boa quanto a Amy, mas, totalmente, em segundo plano, pois a Amy não era só uma musicista, era um personagem que trazia em si a vontade de todas as pessoas que a curtiam; jogar a vida para cima e ver onde esse carro desgovernado ia parar.

Se gênios como Brian Jones, Jimi Hendrix, Janes Joplin, Kurt Cobain, Ian Curtis, Jim Morrison, e agora, Amy Winehouse perceberam que a morte é a solução ideal para a vida eterna, é porque é a mais pura verdade. Se respondam: Qual integrante dos Beatles ainda está vivo? Esqueceu do Ringo né?! Pois então, a história matou o Ringo, sabe o porquê? Por que ele não morreu.

Não faço apologia a morte, por mais sensual que ela seja, mas é difícil ver mitos morrendo. Essa é a minha forma mais light de entender a morte dessa diva. Esqueçamos um pouco seus contratempos e vamos só pensar que a cada Amy que morre, um Luan Santana vive. Já dizia nosso querido Harvey Dent: Ou você morre heróis, ou vive-se o bastante para se tornar um vilão” Descanse em paz Amy.