terça-feira, 20 de setembro de 2011

O Idiota


Se eu voltasse no tempo teria dado algumas respostas bem diferentes. Uma delas seria o que ser quando crescer:

- Anderson, o que você quer ser quando crescer?

- Eu quero ser idiota professora

- Idiota? Mas por que Anderson?

Idiota sim, e por que não? Ser idiota é muito fácil. O idiota não precisa esperar uma atração cultural de mês em mês que o agrade, toda semana algum show custando centavos pode surgir como atrativo, ou melhor, qualquer som aberto é internalizado como o ultimo rock in rio da história.

O idiota não perde seu tempo lendo jornal, porque é muito mais fácil reproduzir a informação errônea passada por outro idiota, mas que veio com uma explicação demorada e gaguejada que o convenceu que havia qualquer tipo de embasamento naquela fala.

O idiota não perde seu tempo procurando filmes na locadora, qualquer Mike Myers, Rob Schneider ou Kid Bengala serve como entretenimento para uma tarde inteira.

O idiota é maioria e a maioria sempre vence! Não acredita, então reflete um pouco sobre a nossa democracia para você perceber se ela não é chefiada por uma maioria de idiotas eleitos pela maioria de idiotas.

Do idiota se espera nada “ahhhh, mas é assim mesmo, é porque ele é um idiota” “como assim, você, um cara tão cabeça, fez isso!?”.

O idiota reconhece seus iguais e, muitas vezes, faz com que eles esmaguem qualquer opinião bem fundamentada; vai me dizer que você nunca esteve numa situação que lhe obrigou a abrir mão da sensatez por que a idiotice coletiva estava pressionando!?

O idiota é sempre compreendido, pois ele nunca terá uma opinião que não seja facilmente digerida e compreendida pelos iguais: “esse Lula é um ladrão!”. O idiota é sempre desonesto, pois em sua cabeça está bem claro que honestidade e panaquisse no Brasil são sinônimos.

Mas o idiota também pode ser engajado, ele sempre xinga muito no twitter, frequenta marchas que vai do nada ao lugar nenhum e levanta sua espdada do argumento, ostentando o discurso “pior é você que NÃO fez nada”, esquecendo-se que fazer nada em casa e fazer nada numa passeata imbecil da no mesmo.

O idiota político sempre vota nulo, não perde tempo procurando algum político que possa valer a pena, afinal, todos são ladrões não é!?

O idiota tem o poder do convencimento, um “mesmo assim”, um “então!”, um “eu penso assim e acabou” cansa qualquer pessoa racional e faz o idiota vencendor da batalha.

O idiota pode ter vários tipos, mas nunca confunda com o que troca troglodita por poliglota, esse aí está longe de ser idiota. Idiota nessa área ri de zorra total, muito mais fácil do que esperar seu seriado de humor estreiar lá fora, ganhar um legenda e ficar disponível. Ahhh... O idiota não vê problema em filme dublado, quer coisa melhor?

Sabe o que é a melhor parte de ser um idiota, a falta de expectativa, se eu fosse um idiota você teria parado no meio desse texto, não é!? Outra coisa, eu nem teria a esperança de fazer desse texto a minha primeira grande obra textual, porque? Porque eu seria um idiota. Eu não sei você, mas me parece muito interessante a ideia de me tornar um idiota, pois então, que eu comece agora...pena não saber por onde começar, acho que vou aqui pedir ajuda a qualquer idiota, são tantos mesmo...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Trampolim do Forte

Quem alguma vez caminhou pelas areias do porto da barra e/ou se viu esperando um ônibus na estação da lapa já deve ter se perguntado sobre a vida dos personagens que sempre são encontrados nesses lugares. Podemos citar: um menino vendendo picolé, alguns garotos pulando do trampolim da barra e outros tantos indo e vindo, que alguns nós nem percebemos mais. É fácil perceber que a realidade desses pequenos baianos não é fácil, mas o que de fato acontece por trás de tudo isso? Essa é a resposta que Trampolim do Forte nos dá.

Ambientado no Porto da Barra, Trampolim do Forte conta a história do menino Déo (Lúcio Lima) e sua luta para deter um estuprador que ataca crianças na Barra. Para tornar a história ainda mais interessante, o diretor, João Rodrigo Mattos, envolve o drama com a dura realidade de Felizardo (Adaílson dos Santos), menino de coração bom que sofre com o fato de trabalhar duro vendendo picolé para que sua mãe dê boa parte do lucro ao reverendo Magalhães (Luís Miranda).

Déo e Felizardo fazem parte de figuras que podem ser vistas facilmente nas ruas de Salvador. Problemas familiares, o submundo das noites, polícia corrupta, alienação das igrejas e outras fraquezas de nossa capital foram bem exploradas sem nenhum tom de sensacionalismo ou de piedade. Entre essa realidade é imprescindível destacar o papel do jovem Everton Machado como Fuleirinho, famoso trombadinha das ruas que tem o final pouco surpreendente para a triste realidade dos meninos de rua na capital baiana.

O único aspecto preocupante do filme é o fato dele ser tão significativo para os baianos – e outros nordestinos – que seja bem fora de órbita para nossos vizinhos de baixo, que insistem em achar que o único problema nacional interessante em ser retratado precisa vestir roupas pretas ou subir em morros ou ouvir funk.

Além de ter uma fotográfia incrível, Trampolim do Forte é inteligente, reflexivo, impressionante e enigmático, além de colocar no mercado uma gama de atores que não me surpreenderá em nada quando figurarem uma próxima cena de atores baianos desbravando o sudeste. #FicaDica.