segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Osso duro de roer...


Engraçado, hoje, de manhã, eu liguei a televisão e me perguntei: “Caramba! Tropa de elite 2 já está na TV, e no horário da TV globinho” Quando saí do trabalho, resolvi dar uma passada no cinema, espantei-me de novo: “Caramba! O cinema está transmitindo o caos do Rio em tempo real”.

Chocante! Não há outro adjetivo para descrever o que vimos diante as câmeras. Até os mais chatos e mais céticos diriam que as imagens de guerra são o suficiente para dar um tapa na cara de qualquer consciência que se veja impune dos problemas da porta para fora. A barbárie realizada pela policia do Rio reflete o quanto está por trás de toda essa guerra de vitima contra vitima. Sim, são todos vitimas. O policial que coloca sua vida em risco (a sua e de toda sua família) por uma migalha, chamada de salário, e por uma corda tão fraca que sempre arrebenta na situação onde uma corda mais forte está bem amarrada. O bandido é vítima de uma política que esquece de formar cidadãos e que se gaba por pagar mais à um juiz do que à um professor. Politicagem, assédio da mídia, violência desregrada e o pior... nós, os espectadores, assistindo tudo com total impotência e com um pouco de sadismo desumano que torce para que o bandido seja dilacerado como um animal. O problema é que o buraco é mais em cima, e nem sempre a vida imita o vídeo, e quando imita, nenhum garoto inventa novo inglês algum, eles inventam um futuro com previsão mais curta que uma carreira de cocaína.

Shon, eu estou um pouco confuso. Você está falando de Tropa de Elite 2 ou da barbárie no Rio de Janeiro? Engraçado, hoje, de manhã, eu liguei a televisão e me perguntei: “Caramba! Esses figurantes de Tropa de Elite 2 tem uma reação muito verdadeira” Quando saí do trabalho, resolvi dar uma passada no cinema, espantei-me de novo: “Caramba! Esse policial é a cara do capitão nascimento”.

domingo, 21 de novembro de 2010

Entre a montanha e o chão

- É nós na fita – Disse o guardador de carro quando entregava o dinheiro do troco ao motorista.

- “É nós na fita” – Respondeu Ribeiro parafraseando-o – “É nós na fita” como eu adoro essa expressão Mariano, ela é magnífica – Disse Ribeiro passando a primeira marcha e tirando o carro, alguns metros, do lugar.

- “Tamo junto”, eu prefiro “tamo junto” – Refletiu Mariano

- No meu caso – começou Ribeiro – serve as duas. Ribeiro sorriu em direção de Mariano. Ele já conhecia a procedência deste sorriso.

- Você está apaixonado mesmo meu amigo – Disse Mariano lhe retribuindo o sorriso – Mas e a sua separação? E sua mulher? Será que é certo?

- Por favor, Mariano – Clamou Ribeiro – como você pode me pedir para me furtar deste sentimento. Minha mulher e eu já estamos separados emocionalmente. Agora eu quero namorar, estou com 35 anos, não posso deixar que a vida após o casamento me pareça algo acabado. Sabe qual época estou vivendo? A do “amor recíproco e sem controlo”. Minha amada é mais velha que eu, mas está se jogando de cabeça como se fosse uma jovem descobrindo o amor.

- Eu entendo Ribeiro, mas... – Tentou Mariano

- Se você entende – Continuou Ribeiro ao parar em um sinal – então não me venha com esse cartesianismo chato. Nem parece que você ainda está na casa dos 20. Você precisa ser mais kamikase, não ter medo de eclodir no avião, estar em queda livre. Sabe onde eu estou? Entre a montanha e o chão, simplesmente a sentir o vento no rosto.

- Verdade – refletiu Mariano vendo as luz verde da sinaleira passar por sua cabeça – estou feliz por você meu amigo, feliz por sua felicidade.

- E deve mesmo – Ribeiro exibia um sorriso apaixonante na face – ontem nós entramos na fase da descoberta de defeitos. Quando eu tive ciência que adoraria conviver com os erros dela, eu a mandei um e-mail com “nosso estranho amor” de Caetano. Conhece? Teu corpo combina com meu jeito, nós dois fomos feitos muito pra nós dois, não valem dramáticos efeitos, mas o que está depois – Ribeiro mantinha a voz empostada e a afinação que só o amor sabe dar aos não músicos – não vamos fuçar nossos defeitos, cravar sobre o peito as unhas do rancor, lutemos mas só pelo direito, ao nosso estranho amor.

Assim o caminho ia se passando. Ribeiro ia passando uma lição que só o amor podia ensinar. Mariano ainda se mostrava um pouco “pé atrás” com toda essa dedicação de Ribeiro, mas aos poucos ia vendo que era assim que acontecia, nenhuma restrição, nenhuma desconfiança. Existia a tal hora em que o coração falava, era isso que Ribeiro tentava descrever.

A ladeira que dava na casa de Mariano já estava chegando quando Ribeiro retomou:

- Ontem nós iniciamos uma briga, questão de incertezas e etc. mas veja como tudo se resolveu – Ribeiro deu a Mariano o seu celular e mandou-o ler uma mensagem mandada pela sua amada. A mensagem dizia um simples e sincero “eu te amo”. Ribeiro sorriu novamente e falou:

- Não a nada melhor que beijar a mulher amada, só beijar, passar a noite toda beijando-a e apreciando sua beleza. É isso o mais puro amor, eu estou feliz Mariano, ela me faz sentir isso, me faz sentir o descobrimento do amor. Nada como um amor após o outro para você descobrir o quanto pode amar.

Eles já estavam na porta do condomínio de Mariano, uma despedida já começava a ser ensaiada.

- Obrigado Ribeiro – Disse Mariano tirando o cinto – Durma bem... nem é necessário falar isso, na nuvem que você está o sono é bem confortável.

- Exato meu amigo – destrancou a porta – eu estou no lugar que eu quero ver você daqui a algum tempo. Ok? – Perguntou Ribeiro. Mariano sorriu, apertou sua mão e saiu do carro. Ribeiro já dava a partida no carro quando Mariano surgiu na janela.

Ribeiro! – chamou-o – É nós na fita.

sábado, 13 de novembro de 2010

A importância social das atrizes pornô.

O ENEM ainda está vivo na minha mente, não apenas por ter me feito perder um final de semana - que resultou numa bola de nevetamanha que se concluiu em uma sinusite aguda – mas também pelo tema de sua proposta de redação;Dignidade no trabalho.

Enquanto eu e meus nobres pensamentos tentávamos chegar ao conceito de dignidade, pensei: “não é possível que o ENEM esteja dizendo a milhões de mentes em formaçãoque os trabalhos organizam-se de forma vertical, onde sua hierarquia é baseada em algum aspecto de organização social.” O único aspecto que essas mentes iriam pensar é? É?! É...?! Remuneração. Porém, baseado nisso temos Galvão Bueno ganhando mais que o nosso presidente Lula. Será que narrar (torcer) jogos do Flamengo é mais importante que tomar decisões para uma nação?!

Foi então que eu desisti e resolvi negar o tema, apontar o dedo para o INEP e dizer: “a dignidade se origina da educação, o trabalho pouco tem haver com isso”. A partir daí minha cabeça gerou uma discussão bastante inusitada de SHON VS INEP.

- Não existe trabalho indigno e vocês não podem colocar mentes em formação em risco por causa desse pensamento mesquinho. – Disse Shon com raiva no olhar.

- Claro que existe! O problema é que somos hipócritas e queremos esconder tudo com panos quentes. Respondeu o INEP sem baixar a guarda.

- Existe!!! – Exaltou-se Shon – Liste-me por favor. O pedreiro é indigno? O padeiro é indigno? O gari é indgino? Eu e você necessitamos de casas, pão e cidade limpa. Então não venha com essas baboseiras.

- E as atrizes pornô!? Elas servem para quê? – Perguntou o INEP com ar de quem já ganhou a disputa.

- Ahhhhh!!! Entendi aonde você quer chegar. Saiba doutor INEP que a iniciação sexual de vários jovens é dada por essas moças que você não consegue ver serventia alguma. Imaginemos: se toda primeira vez é uma porcaria, mesmo com a “experiência” dos filmes de sexo, imagine sem eles? O auto-conhecimentoé uma prática que permeia uma fase bem importante para vida de todos os humanos. A masturbação – ou punheta, ou bronha, cinco contra um, pegar de barreira, entortar a cabeça do palhaço, enforcar o judeu... – é recomendado por dez entre dez sexólogos. Se você no alto da sua hegemonia não consegue perceber que toda nossa ação é reprodução de algo que queremos para nós, ou não queremos, então nunca conseguirá ver importância nas coisas que parecem menos valorizadas, mas são somente menos entendidas. Na minha humilde opinião, indigno mesmo é ter um ano para se fazer uma prova e enchê-la de erros primários. Tenho certeza que em um filme pornô, o que tiver de ser amarelo, será amarelo, mas nunca virá trocado, nunca de outra cor, muito menos pelo vermelho, pois este estraga qualquer cena.

domingo, 7 de novembro de 2010

Errar é humano...

Muito longe da piada que indica que o ENEM serve para você descobrir que não se sabe nada de matemática, ENEM de física, ENEM de português, ENEM de história... A Lost Machine, representada pelo seu único membro (Anderson Shon), se predispôs a fazer o ENEM com o intuito de noticiar quais os méritos e os deméritos que circundam o Exame Nacional do Ensino Médio.

O sábado e domingo do ENEM foram os dias que não tiveram cara de final de semana, pois ficar três horas e meia (média de tempo de resolução da prova) enfiado numa sala, com pessoas do mesmo sexo (isso é o pior) e sendo orientado por alguém que parece saber menos que você, é no mínimo ruim. Pior mesmo é ser avisado por minuto de algum erro cometido pelo INEP. Vamos detalhar a minha odisséia no ENEM.


Sábado: Prova de ciências da natureza e ciências humanas ou prova de geografia, história, biologia e química. Não é muito mais fácil chamar as matérias do jeito que elas são chamadas? Essa nomenclatura pomposa resultou na não percepção do gabarito trocado. Onde estavam ciências naturais, estavam às questões e ciências humanas e vice-versa. Porém, o livro indicava esse paradoxo, o que resultou em um murmurinho negativo e mais uma ação de descrédito perante o INEP.

Resolvido o problema eu continuei fazendo minha prova, ela é bastante simples, extremamente dedutível, é só parar e interpretar os enunciados e se chega à resposta certa. O grande problema é: INTERPRETAR 90 QUESTÕES É DESUMANO. Não tem esse aluno que consiga manter o rendimento em 90 questões e todas elas com textos consideráveis. Além dos textos vagos, que te levam do absolutamente nada, para o encantador lugar nenhum.

Eu, que cheguei lá com dor de cabeça, só a vi se atenuando bastante, mas não fui o único, casos de queda de pressão, tontura e enjôo foram freqüentes na resolução dessa sabatina mal organizada, chamada ENEM.

Feliz e contente com a chegada do termino da prova, entrei naquela aura do “se tem calculo, chuta!” e já estava prestes a fazer isso, quando entrou uma senhora dizendo que as pessoas que estavam com a prova amarela deveriam verificar página por página, pois havia acontecido um erro na impressão. Adivinha a cor da minha prova? ¬¬’ Por sorte a minha estava certinha, eu verifiquei duas vezes, para ver se o azar não estava me pregando uma peça, mas não, tudo ok mesmo.

Marquei minhas últimas questões e entreguei a prova com três horas e dezessete minutos. Fui para casa pensando “que merda! Amanhã tem tudo isso de novo”, e esperei chegar o amanhã.


Domingo: O Segundo dia não foi muito animador, para evitar o estado de “se tem calculo, chuta!” eu resolvi fazer a redação e as questões de matemática e física, deixando assim as de português para o final. Foi então que eu descobri o estado de “se tem muito texto, chuta!” REFORÇO: É desumana uma prova com 90 questões e mais uma redação. Essa patacoada vira um teste de resistência, muito mais cruel do que qualquer um feito pelo No Limite.

Cheguei a algumas conclusões com este ENEM: É muito boa a iniciativa de se fazer uma prova baseada em interpretação a nível nacional, pois assim nossos colégios vão cada vez mais se preocupar em diminuir o número de analfabetos funcionais. Elencar conhecimentos que vão além da sala de aula, também é algo bastante positivo, isso mostra para o aluno que a produção de conhecimento pode ocorrer em qualquer ocasião. Porém, travar 180 questões de enunciados em forma de textos, é querer que o cérebro de pobre aluno frite. Aprendi também algumas coisas tão interessantes quanto. Vamos a elas:


Feijão tropeiro é decisivo para seu futuro profissional;

Existem as questões fáceis, as para retardados e as de química;

Se você colocar as coordenadas geográficas numa garrafa e jogá-la ao mar, você recebe uma foto de um garoto da Noruega!;

Não se deve colocar uma estátua no fundo de uma piscina, porque depois dá muito trabalho pra tirar;

Mr Bean e Monalisa não devem pensar na hipótese de ter um filho;

Não importa qual caminho eu pegue, ele sempre será engarrafado;

Que a Dayanne dos Santos fica muito mais feia em fotos preto e branco;

E que o ENEM e o Restart são muito parecidos: ambos são coloridos, ambos são uma merda e ambos fazem você xingar muito no twitter.

Errar uma vez é humano, errar várias vezes é INEP