quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Cordeiro em Pele de Lobo

Sabe uma verdade que nós esquecemos? É que, às vezes, pode realmente aparecer o lobo. O pastor de ovelhas e sua mentira sobre a existência de um lobo, teve um efeito tão negativo em seus colegas, que quando o lobo realmente apareceu, ninguém mais lhe dava qualquer tipo de crédito.

Discutir política no Brasil termina de duas formas: todos os políticos são corruptos ou você é idiota por acreditar que algum não seja.  Esperar algo de algum político pode parecer tolisse, mas ainda é preciso, pois toda generalização é extremamente tola. Tudo bem que nossos políticos são, merecidamente, alvos de todo nosso descredito, mas esse tiroteio que está acontecendo no governo Dilma também não faz bem nenhum ao país. Alguém está caçando patos com o joystick de pistola, congratulations!

Nosso país já tem o mau hábito de cobrar provas de quem é acusado, imagina agora com essa febre de denunciar, julgar e condenar ministros antes mesmo de qualquer prova. No fim só irá restar a Dilma (eu acho) o Jean Willys (ganhou o BBB, já está rico há muito tempo) e o Tiririca (propina é coisa de abestado).

Sabe qual é o ponto chave da história do pastor de ovelhas? É que no fim havia um lobo, pois então, acreditemos que entre os nossos políticos exista um bom cordeiro.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Manual do Cool

Na era da velocidade extrema e da informação digitalizada, nós – pequenos gafanhotos – nem sempre conseguimos produzir opiniões abalizadas resultantes do tanto de conhecimento que nos é direcionado dia-a-dia. Portanto, uma série de comportamentos pré-moldados – independentes de algum conceito por trás – te faz um cara cool, sem nem precisar digerir informações, formar opiniões, etc. Não sabe o que é um cara cool? Um cara descolado, inteligente, que é sempre melhor que todos e consegue ver além do alcance. Aprenda em 5 passos o necessário para ser um cool:

1° - Não assista televisão; é de bom grado que todas as pessoas que te conhecem saibam que você não perde tempo assistindo TV, porém, numa roda de amigos você sempre sab conversar sobre o que passou no CQC, Agora É Tarde, no Jornal Nacional ou até mesmo que filme inedito passará no Tela Quente. Se alguém abordar tua contradição, explique que você estava na sala estudando e tua mãe estava assistindo ou que você passou no quarto do teu pai quando o ocorrido estava sendo televisionado.

2° - Nós não podemos fazer uma Copa do Mundo enquanto pessoas passam fome, ou melhor, nós não podemos fazer nada enquanto pessoas passam fome. Cool que é cool tem que ser sempre humanista, mesmo parecendo – muitas vezes sendo – ignorante. Em uma conversa, convença à todos que no Brasil só funciona uma coisa de cada vez, logo, se fizermos uma Copa do Mundo, iremos esquecer das criancinhas que não tem o que comer.

3° - É proibido gostar de Pitty ou de qualquer outro rock nacional, que não seja o Los Hermanos. O rock nacional é alienado e sem a menor qualidade, enquanto bandas norte americanas e britânicas colocam qualquer banda nossa no bolso. O Titãs avisou que “um iditoa inglês, se é idiota, é bem menos que nós” mas é proibido também gostar do Titãs.

4° - Campanhas de rede social são rídiculas e ferem a inteligência de um cool. O cara que é cool de verdade tem que ir contra qualquer tipo de campanha, pois todas terão alguma falha na concepção ou na operação. É bem verdade que o cool nunca muda uma peça do lugar, mas isso também faz parte do ser cool.

5° - A massa nunca terá uma opinião que preste. Se algum filme, música, talk show tiver uma grande aceitação da massa, você jamais – eu disse JAMAIS – deverá gostar desse mesmo entretenimento; você é cool! Deve arranjar alguma ponta de alienação naquele fato e mostrar que sua opinião é de quem consegue ver de cima, deixando os meros mortais longe de qualquer embasamento prévio.

Agora que você já pode se definir como um cool, eu tenho um grande pedido à você: VAI TOMAR NO COOL.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Rock In Rio, EU VOU... te explicar


Ooooh, oooooh, ooooh ROCK IN RIOOOO!!!! Finalmente temos mais uma edição do Rock In Rio em terras brasileiras. E, empunhando a espada e o olho de tandera, irei tentar explicar aos chatos de plantão que ROCK IN RIO é um nome de um festival de música e não de um festival de ROCK. Obs: qualquer comentário do tipo: “então troca de nome” será excluído pelo bloqueio autómatico à acefálos.

Estou radiante com o desenvolvimento do Festival e com a qualidade demonstrada pelas atrações. Não sou do tipo que fico agradecido pelo convite a bandas como Korzus, Mutantes,  Jupiter Maçã e Matanza, pois esses devem ter sempre cadeira cativa em eventos desta magnetude, a organização não fez nada mais do que a obrigação deles, porém, estou aqui para explicar que o Rock In Rio IV não passa nem perto de ser “um festival vendido” como muito afirmam. Vamos aos fatos:

O Rock In Rio sempre trouxe grandes bandas de rock para compor o festival – isso é maravilhoso – e ostenta o nome do Rio, pois este foi o primeiro cenário do Festival. Então, é fácil entender o  motivo do nome. A primeira edição contou com bandas como AC/DC, Iron Maiden, Queen, Ultraje a Rigor... É rock ou não é?! Porém, a participação de Pepeu Gomes – muito elogiada, por sinal – no palco principal já dava o tom que o festival queria ter; Um festival de música universal, que tivesse como centro o rock.

E assim conseguiu, a primeira edição teve 80% do seu palco principal formada por bandas de Rock. A segunda edição contou com 79% e a terceira com 73%. As duas apresentaram bandas do calibre de Guns N Roses, Oasis, REM, Foo Figthers... mas sempre se viu representantes fortes de outros estilos como o Carlinhos Brown, Sandy & Junior, Britney Spears...

Vamos agora debater com os corneteiros de plantão: O Festival de Verão de Salvador é críticado pelos apreciadores da boa música por ser um carnaval antecipado, pois sua grade é formada por mais de 50% de atrações de axé. Eu pergunto: Como o Festival de Verão e o Rock In Rio podem ser críticados pelo mesmo motivo se ambos tem sua grade estruturada de forma completamente diferente? Será que vale mesmo o rótulo de Carnaval In Rio?

“Então muda o nome!” mudar o nome para quê, se boa parte do Rock In Rio é puro rock. Outra coisa, Rock In Rio é uma marca, na novela “Malhação” existe pessoas se exercitando? O “Redação SporTV” é um programa sobre técnicas textuais? Se você ainda insiste que o nome deve ser mudado, então reclame mais do fato de existir um Rock In Rio em outros países.

Já que você está com vergonha do seu pensamento errôneo é a hora de fechar a matraca e ficar feliz da realização de um festival desse porte ter o Brasil como Background. Mas, se você insiste nesse pensamento imbecil vá até o espelho e reflita: se seu nome for Albert, Marina, Thom ou Fernanda peça para trocar, pois você tem o nome de uma pessoa inteligente e, pelo jeito, não combina.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Lost Machine TV (Edição de Saudade)



Nos confins do notebook de Anderson Shon foi encontrado um Lost Machine TV perdido. Fazendo parte das comemorações de mais de 100 posts no blog Lost Machine, eu resolvi disponibilizar esse Lost Machine TV inédito. Aproveitem.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O Idiota


Se eu voltasse no tempo teria dado algumas respostas bem diferentes. Uma delas seria o que ser quando crescer:

- Anderson, o que você quer ser quando crescer?

- Eu quero ser idiota professora

- Idiota? Mas por que Anderson?

Idiota sim, e por que não? Ser idiota é muito fácil. O idiota não precisa esperar uma atração cultural de mês em mês que o agrade, toda semana algum show custando centavos pode surgir como atrativo, ou melhor, qualquer som aberto é internalizado como o ultimo rock in rio da história.

O idiota não perde seu tempo lendo jornal, porque é muito mais fácil reproduzir a informação errônea passada por outro idiota, mas que veio com uma explicação demorada e gaguejada que o convenceu que havia qualquer tipo de embasamento naquela fala.

O idiota não perde seu tempo procurando filmes na locadora, qualquer Mike Myers, Rob Schneider ou Kid Bengala serve como entretenimento para uma tarde inteira.

O idiota é maioria e a maioria sempre vence! Não acredita, então reflete um pouco sobre a nossa democracia para você perceber se ela não é chefiada por uma maioria de idiotas eleitos pela maioria de idiotas.

Do idiota se espera nada “ahhhh, mas é assim mesmo, é porque ele é um idiota” “como assim, você, um cara tão cabeça, fez isso!?”.

O idiota reconhece seus iguais e, muitas vezes, faz com que eles esmaguem qualquer opinião bem fundamentada; vai me dizer que você nunca esteve numa situação que lhe obrigou a abrir mão da sensatez por que a idiotice coletiva estava pressionando!?

O idiota é sempre compreendido, pois ele nunca terá uma opinião que não seja facilmente digerida e compreendida pelos iguais: “esse Lula é um ladrão!”. O idiota é sempre desonesto, pois em sua cabeça está bem claro que honestidade e panaquisse no Brasil são sinônimos.

Mas o idiota também pode ser engajado, ele sempre xinga muito no twitter, frequenta marchas que vai do nada ao lugar nenhum e levanta sua espdada do argumento, ostentando o discurso “pior é você que NÃO fez nada”, esquecendo-se que fazer nada em casa e fazer nada numa passeata imbecil da no mesmo.

O idiota político sempre vota nulo, não perde tempo procurando algum político que possa valer a pena, afinal, todos são ladrões não é!?

O idiota tem o poder do convencimento, um “mesmo assim”, um “então!”, um “eu penso assim e acabou” cansa qualquer pessoa racional e faz o idiota vencendor da batalha.

O idiota pode ter vários tipos, mas nunca confunda com o que troca troglodita por poliglota, esse aí está longe de ser idiota. Idiota nessa área ri de zorra total, muito mais fácil do que esperar seu seriado de humor estreiar lá fora, ganhar um legenda e ficar disponível. Ahhh... O idiota não vê problema em filme dublado, quer coisa melhor?

Sabe o que é a melhor parte de ser um idiota, a falta de expectativa, se eu fosse um idiota você teria parado no meio desse texto, não é!? Outra coisa, eu nem teria a esperança de fazer desse texto a minha primeira grande obra textual, porque? Porque eu seria um idiota. Eu não sei você, mas me parece muito interessante a ideia de me tornar um idiota, pois então, que eu comece agora...pena não saber por onde começar, acho que vou aqui pedir ajuda a qualquer idiota, são tantos mesmo...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Trampolim do Forte

Quem alguma vez caminhou pelas areias do porto da barra e/ou se viu esperando um ônibus na estação da lapa já deve ter se perguntado sobre a vida dos personagens que sempre são encontrados nesses lugares. Podemos citar: um menino vendendo picolé, alguns garotos pulando do trampolim da barra e outros tantos indo e vindo, que alguns nós nem percebemos mais. É fácil perceber que a realidade desses pequenos baianos não é fácil, mas o que de fato acontece por trás de tudo isso? Essa é a resposta que Trampolim do Forte nos dá.

Ambientado no Porto da Barra, Trampolim do Forte conta a história do menino Déo (Lúcio Lima) e sua luta para deter um estuprador que ataca crianças na Barra. Para tornar a história ainda mais interessante, o diretor, João Rodrigo Mattos, envolve o drama com a dura realidade de Felizardo (Adaílson dos Santos), menino de coração bom que sofre com o fato de trabalhar duro vendendo picolé para que sua mãe dê boa parte do lucro ao reverendo Magalhães (Luís Miranda).

Déo e Felizardo fazem parte de figuras que podem ser vistas facilmente nas ruas de Salvador. Problemas familiares, o submundo das noites, polícia corrupta, alienação das igrejas e outras fraquezas de nossa capital foram bem exploradas sem nenhum tom de sensacionalismo ou de piedade. Entre essa realidade é imprescindível destacar o papel do jovem Everton Machado como Fuleirinho, famoso trombadinha das ruas que tem o final pouco surpreendente para a triste realidade dos meninos de rua na capital baiana.

O único aspecto preocupante do filme é o fato dele ser tão significativo para os baianos – e outros nordestinos – que seja bem fora de órbita para nossos vizinhos de baixo, que insistem em achar que o único problema nacional interessante em ser retratado precisa vestir roupas pretas ou subir em morros ou ouvir funk.

Além de ter uma fotográfia incrível, Trampolim do Forte é inteligente, reflexivo, impressionante e enigmático, além de colocar no mercado uma gama de atores que não me surpreenderá em nada quando figurarem uma próxima cena de atores baianos desbravando o sudeste. #FicaDica.