sábado, 8 de junho de 2013

Entenda o Estatuto do Nasciturno





Pensei em várias palavras que podiam iniciar esse texto e a única que me parece adequada é esta... FUDEU! Um projeto de lei, aprovado na última quarta-feira, prevê a proibição de qualquer tipo de aborto, isso mesmo, qualquer tipo de aborto. Você, jovem bem avisado, já sabe que o aborto é ilegal, sim, tudo bem, mas, talvez, não saiba que algumas situações podem lhe garantir o direito de abortar legalmente. Vamos entende-lo.

O estatuto do nasciturno – nome do projeto de lei -, basicamente, propõe que nenhuma mulher possa praticar o aborto, independente do motivo. Se ela for estuprada e esse crime resultar numa criança, ela não poderá abortar, se a criança é anencéfala – má formação cerebral que resulta na morte do bebê poucas horas depois do parto – ela também não poderá abortar, se a mãe estiver correndo sérios riscos de vida por causa da gravidez, xiiiii... ela também não pode pensar na hipótese de, talvez, algum dia, quem sabe, numa bela manhã de domingo, abortar. Não é preciso dizer que esse estatuto tem severas bases religiosas, mesmo o Brasil sendo um laico. Ou melhor, “laico”.

Esse projeto foi ventilado pela primeira vez em 2007, quando tinha um parágrafo que incriminava as mães por um tal de aborto culposo. A mulher que sofresse um aborto espontâneo e ficasse provado que ela teve culpa nisso (carregar compras, ir trabalhar no período de licença, torcer fervorosamente para o fim da novela...), seria indiciada... isso mesmo, além de sofrer com a perda do filho – no caso dela querer a criança – ela viraria uma criminosa.

O novo projeto é mais bondoso (ironia modo ON), ele obriga o estuprador que engravidar sua vítima a pagar uma pensão de um salário mínimo para o seu filhinho querido, até o mesmo completar 18 anos. Como se não fosse muito ruim para mulher carregar o fruto de um estupro por 9 meses, ela terá que se relacionar com o estuprador por mais 18 anos. Clap...clap...clap...

Eu nem vou entrar no mérito das pesquisas de células tronco, pois já me considero um perfeito idiota por evitar cometer crimes contra o patrimônio nacional. Acredito que o emburrecimento brasileiro está perto do seu estágio final. Estamos virando um país com bases religiosas que beiram a patetice e ficando cada dia menos horrorizados com notícias desse tipo. Talvez o Feliciano tenha sido enVIADO para nos informar que não tem como voltar atrás, o final já foi decretado. Chegou a hora de lembrarmos do passado da nação, pois o futuro... 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Viúva de Neymar



Ah Neymar! apesar de saber que esse dia iria chegar, ainda é difícil acreditar? Ah Neymar! É uma cracatoa, um periquito ou um carcará? É o cabelo do Neymar. Feio ou horrível, inventou moda, e quem irá criticar? O do fenômeno era bem pior e o Brasil todo esteve a idolatrar. Santo Neymar. De santo tinha pouco, e nem queria ter. Moleque leve e solto, com a bola nos pés fazia, magistralmente, o seu dever. É o Neymar? Ou um pássaro, ou um avião, ou o sucessor que Pelé um dia ficou a imaginar. Se procuramos um defeito, era por que os iates, as publicidades, as Marquezines, faziam uma indispensável e venenosa inveja brotar. Obrigado Neymar! Fez com que muitos tivessem alguém pra amar, ou odiar, com que o mundo se voltasse aos brasileiros, não por inteiro, mas pelo pedaço de pelota a rolar. O menino cresceu e o inevitável se fez, ele irá nos deixar. Hoje, acordo menos alegre, vejo que dribles irão faltar, que as dancinhas irão parar e que uma peça está a faltar. Hoje me sinto uma viúva, uma viúva do Neymar.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Caxirola, eu escolho você!

Não feliz em protagonizar uma patacoada maestral na “organização” do primeiro lote de ingressos da Arena ITAIPAVA Fonte Nova, a Bahia também é vanguardista no mais novo esporte bretão; o arremesso de caxirolas. Criado pelo The Voice, Brown, o esporte consiste em negligenciar anos de educação básica e esperar que uma população de autoeduque, somente pela presença de um estado moderno, luxuoso, padrão FIFA, onde as pessoas são proibidas de peidar e xingar.

O cidadão sai de casa, pisa numa poça d’água, oriunda de um buraco no asfalto, suspeita da procedência daquela água, pois o lixo na sua rua está acumulado há mais um mês, chega no ponto, espera mais de 45 minutos para pegar um ônibus para o centro da cidade, pega-o lotado, dividido em: Um crente se estourando seus tímpanos, alguém maldoso roçando em um alguém indefeso e um funkeiro sem fone de ouvido. Ele pega um engarrafamento inimaginável, pois é domingo e, teoricamente, tudo deveria estar livre. Ao descer na Arena KAISER Fonte Nova, ele, imbuído de toda aquela raiva e incluso na boa parte da população que não tem acesso à educação de verdade, recebe um chocalho fantasiado da casa do Bob Esponja; a tal caxirola.

O que é pior? A chuva de caxirolas ou as mãos lavadas do governo? Esperar educação de um povo que mostra 24 horas que não é educado, é a mesma coisa de pular de um avião com um paraquedas quebrado e esperar que ele se conserte no meio do caminho. Somos um povo que buzinamos no engarrafamento, nossos médicos saem de jaleco pela rua, nossos jovens insistem em perturbar a paz, só pelo gosto de perturbar a paz, nossas meninas se nivelam através do quadradinho de oito... não é surpresa que nossos torcedores protagonizem a patacoada em questão.

Não há nada tão ruim que não tenha um lado bom, né?! Nesse episódio, podemos tirar como lucro a proibição eminente do abacaxi barulhento. Essa moda de instrumento específico da copa é chata e desnecessária, né vuvuzela? Enquanto Brown, em posição fetal, chora as mágoas do seu “invento”, a população brasileira espera qual será o nosso próximo vexame mundial. A copa do mundo é nossa, com o brasileiro não há quem possa.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Que Maravilha!

Após a confirmação de que ainda somos o país do futebol – a incansável copa de 2014 – precisávamos de alguma coisa que nos confirmasse que ainda somos o país da bunda ... precisávamos, pois esse legado nacional já foi encontrado, e é uma maravilha: o bonde das maravilhas.

Exaltando o tipo de dança que pode ser nomeado como rodízio de churrasco (um pedaço de carne pra qualquer um escolher e comer), o bonde das maravilhas continua a saga do glamour inverso existente na cabeça de nossos jovens. Hoje em dia é legal ser vida loka, ser vasp, ser favela, ser sinistro, agora o foco é ter a bunda como cartão de visitas.

É necessário salientar que existem dois fatores que incidem nessa influencia: a falta de intelecto da nossa juventude e a popularização caricata da classe C. Uma coisa tem muita relação com a outra. A mídia passou a vender o que era ridículo, como o legal. O rap plim plim do alto do morro, o retorno da mulata e os vídeos onde uma bunda dança são, agora, instrumentos da “realidade” do nosso povo. Coincidentemente, percebemos que a classe C é, depois do governo Lula, a classe que mais assiste TV, mas isso é só uma coincidência.

Cada pedaço de bunda balançando cria uma geração de machistas do sexo feminino e masculino, mas não se deve cobrar uma mentalidade tão profunda de meninas com a media de idade de 16 anos, EXATAMENTE, cada pedaço de bunda do bonde das maravilhas tem pouco mais ou pouco menos de 16 anos.

O churrasco está servido, mas tenha muito cuidado se tiver vontade de comer. Lembre-se antes que essa carne está temperada por toda uma péssima influencia social, pela ajuda a degradação da imagem da mulher, pela criação de novos misóginos e por uma pitada de vergonha para um cenário fonográfico que já não anda essas maravilhas todas. O bom senso está tão visível quanto o jato delas.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Infeliciano

Adoraria não perder o meu tempo escrevendo sobre umas das piores coisas que eu vi acontecer na política brasileira, mas está impossível. O representante do capeta atende pelo nome de Marco Feliciano e protagoniza o maior e último – espero eu – Foda-se com F maiuscúlo da cúpula de Brasília.

Há algum tempo a população brasileira já vem arrumando formas para deixar claro sua inquietude, apesar de tudo ainda parecer um pouco virtual demais, algo, por menor que seja, está sendo feito. As revoltas facebookianas e twitteiras isoladas foram alvos de piadas, mas a turma do amendoin gigabyte já começa a moldar uma nova forma de feedback para ações nascidas dos nossos engravatados.

O andar da carruagem me faz ter a esperança que esse será o último grande Foda-se da política nacional, pois toda a articulação da internet ganhou força real e as consequencias dessa revolta estão chegando sólidas na vida do inpastor infeliciano. Além de não conseguir exercer sua presidência, artistas e outras frentes sociais estão se colocando abertamente contra a ideia de ter um racista e homofóbico presidindo uma comissão de direitos humanos.

Há algo que podemos comemorar nisso tudo; vimos um ex-presidente expulso do seu cargo voltar a política, vimos um mensalão enriquecer milhares de ladrões que, mesmo condenados, continuam  engordando sua fortuna, vimos um infeliz “se lixando para a opinião pública”, mas só nos mexemos quando a humanidade foi diretamente negligenciada. Talvez haja um senso de humanidade meio esquisita nisso tudo, talvez seja o começo, talvez...

terça-feira, 12 de março de 2013

O País da bunda chiando por um peitinho



O que já não é novidade pra ninguém, volta a ser noticiado como surpresa: Atletas dinamarquesas fizeram topless nas praias do Rio de Janeiro. Há duas informações que a dita intelectualidade eurocêntrica (nesse caso, “euro-nórdica”) não consegue assimilar. Que o Brasil não fala espanhol e que aqui é proibido pagar peitinho na praia.

A primeira tem uma explicação super simples; a ignorância. Já a segunda é extremamente contraditória na mente dos pós-graduados em colonização e de alguns – muitos – brasileiros. O país que por muitos anos foi vendido como o berço da sacanagem, explorando a imagem e a curva das nossas mulheres, além de fazer com que o pão de açúcar divide-se holofotes, principalmente em volume, com a lombada traseira das mulatas que estampavam os folderes da EMBRATUR, abomina completamente a ideia de um peitinho de fora nas areias brasileiras.

Ora, como um estrangeiro vai entender que ele não pode fazer topless, mas no carnaval é extremamente normal ver mulheres e homens com 95% do corpo totalmente desnudoA hipocrisia assume escalas escalafobéticas quando veículos de imprensa dão espaço a matérias sobre o descuido das dinamarquesas, mesmo sabendo que tudo isso passa de um equívoco. Além de fomentar o sensacionalismo babaca, eles perpetuam uma ideia falsa e contraditória de moral.

O país da bunda se ofende ao ver peitos? Boa parte dessa aura eternamente carnavalesca povoada na mente estrangeira foi produzida pelo próprio Brasil. Se queremos correr atrás do lucro, apontar o dedo a uma prática “inocente” não é a melhor maneira. Se a bunda brasileira já não quer ser mais o alvo dos turistas, que deixemos os peitos dinamarqueses em paz. Por que não virar o país do cérebro? Me parece uma escolha muito mais agradável.


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Importância Cultural do Passinho do Volante



    Ah lelek lek lek lek lek lek     ... É rapaz, num é que o passinho do volante pegou mesmo. Uma teoria atual, indica que as músicas que grudam na sua cabeça são reflexos de alguma vontade reprimida, independente de ser boa ou ruim, independente do distanciamento com aquele estilo, se ela gruda em você, significa que você tem alguma predisposição para curti-la, mesmo não estando no facebook. Obs: Eu já cantei tanto isso, que tô quase substituindo minha tatoo do Radiohead pelo      Ah lelek lek lek lek lek lek     .

Por muito tempo se justificou a baixaria e pouca vergonha protagonizada por estilos musicais, visando um público de classe mais baixa (pagode, funk...) através da suposta imposição intelectual existente em estilos como rock, mpb, bossa nova... A ideia de ou bidê, ou balde (8 ou 80) sempre me pareceu ridícula, ou você canta sobre a formação educacional de um comunista ou manda uma potranca esfregar a tcheca no asfalto. Quem não se lembra do É O Tchan e seu duplo sentido saudável? Até hoje existe a grande dúvida em vários jovens brasileiros; pego no bumbum, ou pego no compasso?

O passinho do volante é divertido, inocente e popular. Pode ser apontado como a formula ideal para não precisar ser o ícone da música e ganhar vários grammy’s e nem o grupo que simula sexo oral em cima do palco. Se a letra é vazia? E quem falou que as letras precisam ser cheias? Elas só não podem te levar para um lugar pior do que você estava antes de escutar a música, não pode te estimular a descer com a mão no tabaco, a brigar no carnaval, nem a estuprar as fãs em um ônibus.

Continuo rock n roll até o último fio do cabelo, mas fico feliz em saber da popularização de movimentos culturais que não fomentam a ostentação de algo que você não tem, não fomentam a misoginia e nem a banalização do sexo. Bom ou ruim? Eu me limito ao fato de achar que não faz mal, e no cenário cultural atual, isso é já um bem danado.     Ah lelek lek lek lek lek lek