domingo, 18 de abril de 2010

Dia do Índio. Aprenda como não homenagear

Qual é a primeira imagem que vem a sua cabeça quando falamos em japonês? Um cara branco de olho puxado, comendo sushi e viciado em tecnologia, correto? No entanto nós temos plena convicção que os japoneses não são somente isso ou então não haveria um time de futebol japonês, uma banda de metal japonesa ou a atriz que faz a namorada do Clark em Smalville (que por sinal, é gata demais).

Com a total clareza de distinção de estereótipos e realidade nós podemos nos fazer uma pergunta semelhante: Qual é a primeira imagem que vem a sua cabeça quando falamos em Índios? Pessoas seminuas, vivendo em ocas, empunhando flechas e com penas na cabeça. Agora me dê à descrição não carregada de estereótipos? É... Não conseguimos.

Hoje, dia 19 de abril, nós comemoramos o Dia do Índio, e como toda data comemorativa no Brasil, ela já perdeu qualquer sentido de homenagem e virou uma rotina padronizada, onde as pessoas agem sem saber o porquê estão agindo. Os Índios são os verdadeiros donos do nosso país e o que fazemos para homenageá-los? Pintamos as bochechas dos nossos filhos de vermelho, fazemos um cocar de cartolina e na escola eles correm em círculos produzindo um som ao bater com o vácuo da mão na boca.

Fala-se muito na questão afro-racial, pois os negros se juntaram e hoje brigam (muitas vezes de forma desordenada) por direitos iguais. As infelizes cotas já foram justificadas como “dívida histórica”. As cotas na Universidade para descendentes de Índios entraram em vigor em 2010 e ainda estão pouquíssimas divulgadas, mesmo elas sendo muito mais justas do que as cotas para negros (assunto que da manga para um post a parte). Índio na Universidade?! Se pergunta o mais crente em estereótipo; Sim meu caro amigo, os descendentes de Índios também tem vida urbana como todos nós, mas alguns não tiveram acesso a base social da cidade enquanto criança e o governo nada faz para conduzi-los e inseri-los numa sociedade que esqueceu que o verde tão respeitado pelo Índios é o mesmo que nos falta para viver de forma saudável.

As escolas devem ensinar as nossas crianças o verdadeiro valor do Índio, ao invés de ficar usando-o como um ser extinto e folclórico. Eu sou negro e odeio ver o dia da consciência negra ser comemorada a base de capoeira e acarajé, será que os Índios gostam de se ver representados por crianças vazias quanto a sua história, mas com o rosto pintado de vermelho? Pense nisso.

1 comentários:

Rafael disse...

Veio... So faltou o "Pense nisso, fika a dika no final." Muito bom o post...