domingo, 7 de novembro de 2010

Errar é humano...

Muito longe da piada que indica que o ENEM serve para você descobrir que não se sabe nada de matemática, ENEM de física, ENEM de português, ENEM de história... A Lost Machine, representada pelo seu único membro (Anderson Shon), se predispôs a fazer o ENEM com o intuito de noticiar quais os méritos e os deméritos que circundam o Exame Nacional do Ensino Médio.

O sábado e domingo do ENEM foram os dias que não tiveram cara de final de semana, pois ficar três horas e meia (média de tempo de resolução da prova) enfiado numa sala, com pessoas do mesmo sexo (isso é o pior) e sendo orientado por alguém que parece saber menos que você, é no mínimo ruim. Pior mesmo é ser avisado por minuto de algum erro cometido pelo INEP. Vamos detalhar a minha odisséia no ENEM.


Sábado: Prova de ciências da natureza e ciências humanas ou prova de geografia, história, biologia e química. Não é muito mais fácil chamar as matérias do jeito que elas são chamadas? Essa nomenclatura pomposa resultou na não percepção do gabarito trocado. Onde estavam ciências naturais, estavam às questões e ciências humanas e vice-versa. Porém, o livro indicava esse paradoxo, o que resultou em um murmurinho negativo e mais uma ação de descrédito perante o INEP.

Resolvido o problema eu continuei fazendo minha prova, ela é bastante simples, extremamente dedutível, é só parar e interpretar os enunciados e se chega à resposta certa. O grande problema é: INTERPRETAR 90 QUESTÕES É DESUMANO. Não tem esse aluno que consiga manter o rendimento em 90 questões e todas elas com textos consideráveis. Além dos textos vagos, que te levam do absolutamente nada, para o encantador lugar nenhum.

Eu, que cheguei lá com dor de cabeça, só a vi se atenuando bastante, mas não fui o único, casos de queda de pressão, tontura e enjôo foram freqüentes na resolução dessa sabatina mal organizada, chamada ENEM.

Feliz e contente com a chegada do termino da prova, entrei naquela aura do “se tem calculo, chuta!” e já estava prestes a fazer isso, quando entrou uma senhora dizendo que as pessoas que estavam com a prova amarela deveriam verificar página por página, pois havia acontecido um erro na impressão. Adivinha a cor da minha prova? ¬¬’ Por sorte a minha estava certinha, eu verifiquei duas vezes, para ver se o azar não estava me pregando uma peça, mas não, tudo ok mesmo.

Marquei minhas últimas questões e entreguei a prova com três horas e dezessete minutos. Fui para casa pensando “que merda! Amanhã tem tudo isso de novo”, e esperei chegar o amanhã.


Domingo: O Segundo dia não foi muito animador, para evitar o estado de “se tem calculo, chuta!” eu resolvi fazer a redação e as questões de matemática e física, deixando assim as de português para o final. Foi então que eu descobri o estado de “se tem muito texto, chuta!” REFORÇO: É desumana uma prova com 90 questões e mais uma redação. Essa patacoada vira um teste de resistência, muito mais cruel do que qualquer um feito pelo No Limite.

Cheguei a algumas conclusões com este ENEM: É muito boa a iniciativa de se fazer uma prova baseada em interpretação a nível nacional, pois assim nossos colégios vão cada vez mais se preocupar em diminuir o número de analfabetos funcionais. Elencar conhecimentos que vão além da sala de aula, também é algo bastante positivo, isso mostra para o aluno que a produção de conhecimento pode ocorrer em qualquer ocasião. Porém, travar 180 questões de enunciados em forma de textos, é querer que o cérebro de pobre aluno frite. Aprendi também algumas coisas tão interessantes quanto. Vamos a elas:


Feijão tropeiro é decisivo para seu futuro profissional;

Existem as questões fáceis, as para retardados e as de química;

Se você colocar as coordenadas geográficas numa garrafa e jogá-la ao mar, você recebe uma foto de um garoto da Noruega!;

Não se deve colocar uma estátua no fundo de uma piscina, porque depois dá muito trabalho pra tirar;

Mr Bean e Monalisa não devem pensar na hipótese de ter um filho;

Não importa qual caminho eu pegue, ele sempre será engarrafado;

Que a Dayanne dos Santos fica muito mais feia em fotos preto e branco;

E que o ENEM e o Restart são muito parecidos: ambos são coloridos, ambos são uma merda e ambos fazem você xingar muito no twitter.

Errar uma vez é humano, errar várias vezes é INEP


7 comentários:

Elder Henrique disse...

Muito bom esse texto. Fiz o Enem deste e do ano passado, e concordo: virou um prova de resistência. Concordo que é preciso dimibuir o nº de questões, NO MINIMO no segundo dia, que tem a redação.
E acredite, a do ano passado foi ate mais torturante, com enunciados bem maiores.

Maeve Rêgo disse...

Eu AMEIIIII esse texto!!

queria ter feito o enem pra ri mais alto...


180 questoes????
no way!!

bjoooo

Maeve Rêgo disse...

ah! a proposito:
http://www.atarde.com.br/vestibular/noticia.jsf?id=5647159

Anônimo disse...

E créditos para o dono do texto final, não? Pelo menos deveria ter usado umas aspas para indicar a não-autoria...
Bom post ;D

Anônimo disse...

Não preciso nem comentar que o texto está muito bom. Nem parece que você passou por 180 questões (detalhe: com a temida prova amarela). Me disseram que quem pegou a prova amarella do ENEM não quer ver nem lista telefônica, dá calafrios. Mas destaque para o trecho "[...]Essa patacoada vira um teste de resistência, muito mais cruel do que qualquer um feito pelo No Limite". Creio que essa prova é elaborada para cidadãos com nível mental de quem participa e assisti esses tipos de reality show. Foi uma excelente sacada essa sua, Shom. Me despeço por aqui, já escrevi demais. Vocês que fizeram o ENEM já devem estar cansados de ler (rsrs).

Camila disse...

Muito bom shonzinho
amei concordo plenamente com você

Milene disse...

auhauhushuahuahs,AMEI,você é demais meu amor